Como Cuidar de Criança com Epilepsia no Dia a Dia
Você acabou de ser contratada para cuidar de uma criança com epilepsia e já sabe que a responsabilidade é grande. Saber como cuidar de criança com epilepsia no dia a dia vai muito além de conhecer o número do SAMU. Exige preparo antes da primeira crise, não durante ela.
Cuidar de uma criança com epilepsia no dia a dia exige três pilares: conhecer o plano de ação individualizado entregue pelo neurologista, saber exatamente o que fazer durante e após uma crise convulsiva, e adaptar a rotina da criança (banho, sono, alimentação, brincadeiras) para reduzir gatilhos sem isolar a criança do mundo. Babás sem esse conhecimento específico não estão despreparadas por falta de esforço, mas por falta de informação concreta e acessível.
A família te entregou uma bula, um número de emergência e um sorriso nervoso. Ninguém te explicou o que fazer quando a crise acontece na banheira, no parque ou no meio do almoço. Essa lacuna gera traumas, destrói contratos e, em situações extremas, coloca uma vida em risco. Este guia existe para fechar essa lacuna de vez.
O Que Toda Babá Precisa Saber Antes do Primeiro Dia com uma Criança Epiléptica
Em 2019, fui contratada por uma família em São Paulo. A mãe me disse “ele tem epilepsia, mas é controlada.” No terceiro dia, o menino de 7 anos teve uma crise focal durante o café da manhã. Ficou com o olhar travado por 90 segundos. Eu não sabia se devia chamar ambulância ou esperar. Não havia plano de ação escrito. Nenhum papel, nenhuma instrução.

Hoje exijo esse documento assinado antes de assinar qualquer contrato. Não é exagero. É proteção para mim e para a criança.
O Plano de Ação de Emergência: o documento que você deve exigir antes de começar
O plano de ação de epilepsia é um documento elaborado pelo neurologista responsável pela criança. Ele descreve o tipo de crise que a criança apresenta, a duração típica de cada episódio, o que fazer passo a passo e quando acionar emergência.
Muitas famílias não têm esse documento porque nunca foi pedido. Parte do seu trabalho, antes do primeiro dia, é orientar gentilmente os pais a solicitá-lo na próxima consulta. Se a criança já tem neurologista acompanhando, o plano pode ser emitido rapidamente.
Sem esse documento, você está trabalhando no escuro. E trabalhar no escuro com uma criança epiléptica não é opção.
Perguntas obrigatórias para fazer à família e ao médico responsável
Antes do primeiro plantão, sente com a família e faça essas perguntas. Anote tudo:
- Que tipo de crise a criança tem? (convulsiva, focal, de ausência)
- Qual é a duração típica de cada crise?
- Quais são os gatilhos conhecidos?
- Existe medicação de resgate? Qual, em que dose e quando usar?
- A criança sente algum aviso antes da crise (aura)?
- O que acontece depois da crise? Ela dorme? Fica confusa?
- Qual o número direto do neurologista para situações de urgência?
- Já houve crise na escola ou em outros ambientes fora de casa?
Se a família não souber responder, peça para marcar uma conversa de 15 minutos com o médico antes de começar. Isso não é excessivo. É profissionalismo.
Como registrar as informações no seu caderno ou celular de forma acessível na crise
Na prática, o que funciona mesmo é ter as informações em um único lugar, acessível em 10 segundos. Não num PDF enterrado no e-mail.
Use o bloco de notas do celular ou um cartão plastificado na bolsa. Coloque nome da criança, tipo de epilepsia, medicações com horários, medicação de resgate com dose exata, gatilhos e número do neurologista. Salve como foto na tela de bloqueio. Na crise, o pânico reduz a cognição. Você precisa que a informação apareça sem precisar procurar.
Se você cuida de crianças com outras condições de saúde, esse hábito de documentar vai além da epilepsia. No guia sobre como cuidar de criança com diabetes tipo 1 no dia a dia, explico como aplico o mesmo sistema de registro para crianças com condições crônicas diferentes.
Como Agir Durante uma Crise Convulsiva: Passo a Passo Sem Pânico
Uma colega babá colocou uma colher entre os dentes de uma criança durante uma crise porque “a avó tinha ensinado assim”. A criança quebrou dois dentes. Isso ainda acontece em 2024 porque ninguém ensinou o protocolo correto de forma clara e direta para quem está ali na hora H.

O problema com a maioria dos guias é a lista de proibições. “Não faça isso, não faça aquilo.” O cérebro em estado de pânico não processa negações com eficiência. Você precisa saber o que FAZER, em ordem, cronometrado.
Protocolo minuto a minuto: o que fazer nos primeiros 30 segundos, nos 3 minutos e após 5 minutos
Nos primeiros 30 segundos: mantenha a calma. Observe. Afaste objetos duros, móveis com quinas e qualquer coisa que a criança possa bater. Coloque algo macio sob a cabeça dela (um casaco dobrado, uma almofada plana). Vire a criança de lado, na posição de recuperação. Inicie o cronômetro no celular agora.
Entre 30 segundos e 3 minutos: fique ao lado, observando. Não segure os movimentos, não tente imobilizar os braços ou pernas. Não coloque nada na boca. A língua não pode ser engolida. Esse mito já causou muito estrago. Anote mentalmente (ou em voz alta gravando no celular) como a crise está se manifestando: se os olhos estão virados, se os movimentos são de um lado só, se a criança está responsiva.
Após 5 minutos sem cessar: ligue imediatamente para o SAMU (192). Uma crise acima de 5 minutos é emergência médica. Se o plano de ação prevê medicação de resgate, aplique conforme instrução médica antes ou enquanto aguarda o socorro.
Tipos de crise que uma babá precisa reconhecer
A crise tônico-clônica é a mais conhecida: o corpo rígido, depois os movimentos rítmicos, perda de consciência. É assustadora de observar, mas a sequência de ação é a mesma descrita acima.
A crise focal afeta apenas uma parte do corpo ou manifesta comportamentos estranhos: mastigar sem motivo, mover um braço de forma repetitiva, olhar fixo. A criança pode estar consciente mas parecer “ausente”. Fique perto, não a constranja e observe a duração.
A crise de ausência parece um congelamento de 5 a 30 segundos. A criança para no meio de uma frase, olha para o nada, depois retoma como se nada tivesse acontecido. É fácil confundir com distração. Se você observa isso com frequência, registre e informe à família.
Quando e como usar a medicação de resgate prescrita pelo médico
A medicação de resgate mais comum em crianças no Brasil é o diazepam retal ou o midazolam nasal ou bucal. A via de administração, a dose e o momento correto de usar estão no plano de ação do neurologista.
Você só usa a medicação de resgate se: a crise passou de 5 minutos, se houve duas crises sem recuperação completa entre elas, ou se o plano de ação indicar outro critério específico. Nunca aplique medicação de resgate sem instrução médica escrita e treinamento prévio com a família.
Adaptações na Rotina Diária que Reduzem o Risco sem Prender a Criança
Cuidei por dois anos de uma menina de 9 anos com epilepsia fotossensível em Fortaleza. A família havia proibido videogame, TV e qualquer tela. Ela estava isolada dos primos, sem conseguir participar de nenhuma brincadeira do grupo. A autoestima estava destruída.
Conversando com o neurologista, descobrimos que telas com brilho reduzido e pausas a cada 20 minutos eram suficientemente seguras para ela. Pequena adaptação, enorme diferença na vida dela. Os artigos médicos listam restrições. Quem cuida no dia a dia aprende a aplicar proteção de forma discreta e humana.
Banho seguro: altura da água, temperatura, porta aberta e posicionamento correto
Banho de banheira sem supervisão direta não é recomendado para crianças com epilepsia ativa. O risco de crise com rosto submerso é real e grave. Se a criança usa banheira, o adulto precisa estar presente, a água não deve ultrapassar 10 cm de altura e a temperatura deve ser morna.
O banho de chuveiro é mais seguro, com a porta do banheiro aberta ou com o adulto dentro do ambiente. Evite água muito quente porque o calor pode ser um gatilho para algumas crianças. Reduza o tempo de banho se a criança estiver cansada.
Para crianças menores, o banho no banho de assento com supervisão direta é ideal. O objetivo não é proibir o banho. É reorganizá-lo.
Sono e cansaço como gatilho: como estruturar a rotina de descanso
A privação de sono é um dos gatilhos mais consistentes da epilepsia infantil. Criança mal dormida tem limiar de crise mais baixo. Isso significa que a rotina de sono não é opcional: é parte do tratamento.
Mantenha horários fixos para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana. Evite atividades estimulantes na hora antes de dormir. Se a criança resistir ao sono, crie uma rotina de desaceleração: banho morno, leitura calma, luzes baixas.
Anote no diário quando a criança dormiu mal. Se houver crise logo depois, o padrão vai aparecer e vai ajudar o neurologista a ajustar o tratamento.
Brincadeiras, escola e passeios: o que adaptar e o que não precisa ser proibido
Muita gente ignora isso, mas a superproteção machuca tanto quanto o descuido. Criança que não pode brincar, não pode ir à escola, não pode passear, desenvolve ansiedade, baixa autoestima e dificuldade de socialização.
Natação é possível com supervisão direta. Parquinho é possível evitando alturas muito grandes. Escola é garantida por lei. A Lei Brasileira de Inclusão assegura matrícula em escola regular e adaptações necessárias.
O que adaptar: atividades em altura sem supervisão (escalar, andar de bicicleta em rua movimentada sem capacete), banho sem adulto presente, brincadeiras próximas de piscinas ou lagos. O que manter: tudo o mais que a criança gosta e que o neurologista não contraindicou especificamente.
Medicação: O Papel da Babá no Controle e na Administração
Uma babá em Recife foi demitida por justa causa após não administrar o antiepiléptico no horário correto porque “não sabia que era responsabilidade dela”. O contrato não especificava nada sobre medicação. Ela perdeu o emprego. A criança ficou sem o remédio no horário certo.
Esse caso é mais comum do que parece. E a solução é simples: deixar claro no papel, antes de começar.
O que a CLT e o CBO 5163-10 dizem sobre administração de medicamentos pelo cuidador
O CBO 5163-10, que descreve as atribuições do cuidador infantil no Brasil, prevê o auxílio na administração de medicamentos como parte das funções, desde que haja orientação expressa de responsável legal. A CLT, por sua vez, não proíbe a tarefa, mas exige que atribuições específicas como essa estejam descritas no contrato de trabalho.
Isso significa: se a administração de medicação não está no seu contrato, você pode se recusar sem sofrer penalidade. Se está no contrato, você tem a obrigação de cumprir e o direito de receber treinamento para isso.
Exija cláusula expressa sobre medicação antes de assinar qualquer contrato que envolva criança com condição crônica. Isso vale para epilepsia, diabetes tipo 1 ou qualquer outra condição que exija administração regular de remédios.
Como montar o diário de medicação: horário, dose, lote e reação observada
O diário de medicação é um caderno simples ou planilha no celular com quatro colunas: data e horário da administração, nome e dose do medicamento, número do lote (anote da embalagem), observações sobre a criança após a dose.
Esse registro protege você juridicamente em caso de questionamento. Protege a criança de dose dupla acidental. E fornece dados concretos ao médico na próxima consulta.
Se a família achar exagero, explique que médicos usam esses dados para ajustar doses. Geralmente a resistência some depois da primeira consulta em que o neurologista pede exatamente essas informações.
Sinais de que a medicação não está funcionando e como reportar à família
Você não faz diagnóstico. Mas você observa. E observação qualificada tem valor clínico real.
Relate à família imediatamente: aumento na frequência ou duração das crises, novas formas de crise que não aconteciam antes, sonolência excessiva fora do padrão da criança, perda de apetite persistente ou qualquer comportamento diferente do habitual após iniciar ou trocar medicação.
Use linguagem descritiva e objetiva: “hoje ela teve dois episódios de olhar fixo, cada um durou cerca de 20 segundos, às 10h15 e às 14h40.” Não interprete. Descreva. O médico interpreta com base no que você observou.
Comunicação com a Família, a Escola e a Equipe de Saúde
Acompanhei uma criança ao neurologista em São Paulo porque a mãe não podia faltar ao trabalho. Levei o diário de crises preenchido por mim, com horários, duração e contexto de cada episódio das últimas quatro semanas. O médico ajustou a dose com base naqueles dados. A mãe chorou de gratidão no mesmo dia. Aquele diário valeu mais do que qualquer descrição verbal que ela poderia ter dado.
Babás são frequentemente excluídas das conversas médicas. Isso é um erro que prejudica a criança. Você é quem passa mais tempo com ela.
Como passar o relatório diário para a família de forma clara e sem gerar pânico desnecessário
O relatório diário não precisa ser um documento formal. Uma mensagem de WhatsApp organizada já funciona. Estruture assim: como foi o dia geral, medicações dadas com horários, alguma crise ou episódio suspeito com descrição objetiva, comportamento e humor da criança.
Evite linguagem alarmista mesmo quando algo preocupante aconteceu. “Ela teve um episódio de olhar travado às 11h, durou 15 segundos, depois ficou bem” é mais útil e menos aterrorizante do que “achei que ela ia morrer, fiquei desesperada.”
Comunique com calma. A família já carrega o peso da condição crônica. Seu papel é ser a voz mais organizada nessa equipe.
O que informar à escola e como treinar outros adultos para agir na crise
A escola precisa saber: o tipo de crise da criança, a duração típica, o que fazer passo a passo e quando acionar emergência. Peça à família que entregue uma cópia do plano de ação ao diretor e ao professor da sala.
Se possível, ofereça-se para participar de uma reunião rápida com a escola. Muitos professores nunca presenciaram uma crise e o medo do desconhecido os paralisa. Uma explicação de 10 minutos, com o protocolo escrito em mãos, pode salvar a criança de uma resposta errada no ambiente escolar.
Quando e como pedir para ser incluída nas consultas médicas
Peça diretamente à família. “Eu gostaria de participar da próxima consulta para entender melhor o que estão observando e tirar dúvidas com o médico.” A maioria das famílias aceita porque percebe que isso melhora o cuidado.
Leve o diário. Leve suas anotações. Faça perguntas objetivas: “existe algum novo gatilho que devo observar?”, “a medicação de resgate ainda é a mesma?” O médico vai tratar você com respeito profissional se você chegar preparada.
Saúde Mental da Babá que Cuida de Criança com Epilepsia
Após uma crise generalizada intensa de um menino de 5 anos que eu cuidava em Belo Horizonte, passei duas semanas acordando às 3h da manhã com pesadelos. Revivia a cena. Ficava calculando se tinha feito tudo certo. O menino estava bem. Eu não estava.
Fui ao CAPS do meu bairro e descobri que isso tem nome: estresse pós-traumático secundário. Acontece em cuidadores que presenciam situações de risco de vida repetidamente. Aprendi que cuidar de mim era, na prática, cuidar melhor dele.
Estresse pós-traumático secundário em cuidadores: como identificar e onde buscar ajuda
Os sinais são: pesadelos recorrentes relacionados ao trabalho, ansiedade ao chegar na casa da família, irritabilidade fora do padrão, dificuldade de dormir, sensação constante de que algo vai dar errado.
Se você identifica dois ou mais desses sintomas há mais de duas semanas, procure ajuda. O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) oferece atendimento gratuito. CVV (188) atende em crise emocional. Muitos planos de saúde cobrem psicólogo, e há psicólogos com atendimento a preço social em várias cidades.
Não é fraqueza. É consequência de um trabalho emocionalmente exigente que ninguém prepara você para fazer.
Técnicas de regulação emocional para usar antes, durante e após uma crise
Antes de chegar ao trabalho: respire em 4 tempos (inspira 4 segundos, segura 4, expira 4, pausa 4). Reduz o estado de alerta crônico que muitas cuidadoras desenvolvem.
Durante uma crise da criança: diga em voz baixa, para você mesma: “eu sei o que fazer, estou fazendo certo.” Isso ativa o córtex pré-frontal e reduz a resposta de pânico. Não é autoajuda vazia. É regulação do sistema nervoso.
Após uma crise intensa: antes de ligar para a família, dê 60 segundos para você respirar e organizar o que vai dizer. Você precisa estar funcional para comunicar com clareza.
Como estabelecer limites saudáveis com a família sem comprometer o contrato
Confie em mim nisso: família que te liga às 23h para perguntar se você viu que a criança tossiria mais do que o normal não está sendo mal-intencionada. Está com medo. Mas seu descanso afeta diretamente a qualidade do cuidado no dia seguinte.
Defina horários de comunicação no início do contrato: “fico disponível para mensagens não urgentes até as 21h. Emergências reais me ligue a qualquer hora.” Isso é limite profissional, não descaso. E família que respeita esse limite é família com quem vale a pena trabalhar.
Se você está começando na área ou quer estruturar melhor sua carreira como babá profissional, o guia sobre como ser uma babá profissional tem um caminho completo para isso.
Próximo Passo Prático
Criei uma ficha de bolso que levo em todo trabalho novo com criança epiléptica. Em 15 anos, nunca precisei de mais do que esses 7 campos para agir com segurança em qualquer situação.
Ficha de bolso: 7 campos para preencher antes do primeiro dia de trabalho
- 1. Nome completo da criança (para comunicar ao SAMU com clareza)
- 2. Tipo de epilepsia e forma de crise (convulsiva, focal, ausência)
- 3. Medicações em uso com horários e doses
- 4. Medicação de resgate: nome, dose e quando usar
- 5. Gatilhos conhecidos (sono, febre, luz, estresse)
- 6. Duração típica da crise (para saber quando a duração está fora do padrão)
- 7. Número direto do neurologista (não só da família)
Salve como foto na tela de bloqueio do celular. Imprima e plastifique uma cópia para a bolsa. Esses 7 campos são a diferença entre agir e paralisar.
Simulado prático: como treinar a resposta à crise em 10 minutos com a família
Antes do primeiro plantão, peça à família 10 minutos para um simulado verbal. Você descreve o que faria em cada etapa, eles corrigem ou confirmam. Isso elimina dúvidas e gera confiança mútua.
Pergunte: “se eu estiver na rua com ela e acontecer uma crise, devo chamar ambulância direto ou te ligar primeiro?” A resposta dessa pergunta simples já evita decisões erradas em situação real.
Checklist semanal de segurança no ambiente da criança
- Cantos de móveis protegidos nas áreas de circulação da criança?
- Banheiro com tapete antiderrapante e temperatura de chuveiro regulada?
- Medicações no prazo de validade e nos locais combinados?
- Número do neurologista salvo no celular e na ficha de bolso?
- Diário de crises e medicação atualizado?
- Qualidade do sono da criança nos últimos dias está boa?
- Alguma alteração de comportamento ou humor para reportar?
Esse checklist leva 3 minutos por semana. E pode fazer uma diferença enorme na prevenção de situações evitáveis.
Hoje, antes do próximo plantão, peça à família o plano de ação do neurologista e preencha sua ficha de bolso com os 7 campos essenciais. Salve como foto na tela de bloqueio do celular. Esse é o primeiro passo real.
Perguntas Frequentes
O que fazer quando uma criança tem uma convulsão?
Afaste objetos perigosos, coloque a criança de lado no chão com algo macio sob a cabeça, não segure os movimentos e não coloque nada na boca. Cronometre a duração. Ligue para o SAMU (192) se a crise passar de 5 minutos ou se for a primeira vez.
Criança com epilepsia pode ir à escola?
Sim. A Lei Brasileira de Inclusão garante acesso à escola regular. A família deve entregar à escola o plano de ação com orientações do neurologista e treinar pelo menos um funcionário para agir durante a crise.
Quais são os gatilhos da epilepsia em crianças?
Os principais são privação de sono, febre, luzes piscantes (epilepsia fotossensível), estresse emocional intenso e esquecimento da medicação. Cada criança pode ter gatilhos específicos que o neurologista ajuda a identificar ao longo do acompanhamento.
Criança com epilepsia pode tomar banho sozinha?
Não é recomendado banho de banheira sem supervisão direta. O banho de chuveiro com adulto presente ou porta aberta é mais seguro, com água em temperatura morna e duração reduzida para evitar cansaço e calor excessivo como gatilhos.
Quanto tempo dura uma crise de epilepsia em criança?
A maioria das crises dura entre 1 e 3 minutos e cessa sozinha. Crises acima de 5 minutos são consideradas emergência médica e exigem acionamento imediato do SAMU (192) ou ida ao pronto-socorro mais próximo.
Babá pode dar remédio para criança com epilepsia?
Pode, desde que haja autorização expressa por escrito da família com dose, horário e nome do medicamento especificados no contrato. Para medicação de resgate em crises, é obrigatório treinamento prévio com orientação médica documentada.

Ana Karina Medeiros é a assinatura editorial do Guia da Babá, à frente da produção de conteúdos sobre profissão de babá, direitos trabalhistas, contratos, rotina profissional e cuidados infantis. Os conteúdos sobre legislação e direitos trabalhistas seguem fontes oficiais, como a Lei Complementar nº 150/2015, o eSocial e o Ministério do Trabalho e Emprego. As situações descritas nos artigos ilustram cenários comuns na rotina de cuidadoras e famílias brasileiras; nomes e detalhes específicos foram alterados para preservar a privacidade das pessoas envolvidas.







